Edição 29 - Edição Online


NA PRIMEIRA PARTE DESTA MATÉRIA (EDIÇÃO 28), FORAM ABORDADOS OS SEGUINTES TÓPICOS: 
 
 
– A propaganda enganosa utilizada para classificar ionizadores de cobre como produtos milagrosos;
– A responsabilidade e as bases para a escolha dos produtos certos para tratar águas de piscinas;
– As qualidades exigidas de um desinfetante confiável para piscinas;
– Como o cloro atende essas exigências.
 
Agora, nesta segunda parte, chegou a vez dos ionizadores. 
 
 
O QUE SÃO AFINAL OS IONIZADORES? 
 
São aparelhos que consistem de uma cuba contendo eletrodos de cobre ou de um a liga de cobre e prata, instalada na tubulação de retorno entre o filtro e a piscina, e uma fonte de corrente contínua que fornece energia elétrica de baixa tensão aos eletrodos. Ao receber energia os eletrodos se desgastam e liberam na água que por eles passa uma quantidade de íons de cobre (ou cobre mais prata).
 
Chamam esse processo de oligodinâmico dizendo que ele consiste na “introdução de íons metálicos em quantidades mínimas e em nível inferior a ocorrência de reações qui micas· mensuráveis”. 
 
Na verdade, oligodinâmico apenas quer dizer “atividade em pequenas quantidades” e foi cunhado por von Nageli em 1893 para diferenciar os efeitos entre soluções de 10 ppm (partes por milhão) de nitrato de prata e íons de prata nas pequeníssimas concentrações de 10 a 100 ppb (partes por bilhão). 
 
 
ÍONS DE COBRE: AÇÃO ALGICIDA E FLOCULANTE 
 
Os sais de cobre, notadamente o sulfato de cobre, tem sido largamente utilizado em piscinas como algicida. E também conhecida a capacidade floculante do sulfato de cobre em combinação com a alcalinidade da água, da mesma forma que acontece com o sulfato de alumínio, o sulfato de ferro e outros sais metálicos. O íon de cobre na água e exatamente o mesmo, seja ele proveniente de um ionizador, de um cano de cobre sendo corroído ou de um sal de cobre, como o sulfato de cobre. A água ou a alga, e ate mesmo a análise química, não distinguem o íon pela sua origem. Isto quer dizer que um íon de cobre e um íon de cobre independente de sua fonte. A (mica vantagem portanto de um ionizador e que ele evita o manuseio do sulfato Piscina tratada com ionizador de cobre, alimenta os íons de cobre automaticamente e possui um botão para sua regulagem. Mas ele e apenas um algicida. 
 
A despeito de sua eficacia como algicida, o maior problema da utilização dos sais de cobre e sua capacidade de provocar manchas nos pisos e paredes das piscinas. E exatamente a capacidade floculante dos íons de cobre que os faz precipitar sobre as superfícies – especialmente quando sua concentração se aproxima ou excede a 1 ppm – numa coloração fortemente azulada, as vezes esverdeada, conforme o pH da água, ou preta em águas fortemente cloradas. O cobre também provoca o esverdeamento de cabelos loiros, façanha falsamente atribuída ao cloro.
 
A literatura de todos os fabricantes estrangeiros de ionizadores de cobre/prata e unânime em afirmar que em seus aparelhos o cobre tem a função de algicida e a prata de bactericida. Estranhamente, no Brasil, atribui-se atividade bactericida ao cobre e alguns fabricantes apresentam eletrodos de cobre somente, sem prata. 
 
Dizer que os íons de cobre são inofensivos aos seres humanos seria na mínima ingenuidade. O que diferencia o remédio do tóxico e simplesmente a sua dosagem (Paracelsius). Embora a eventual ingestão de água de piscina contendo íons de cobre certamente não apresente risco ao banhista, ha ocorrências suficientes na literatura médica de intoxicações por íons de cobre, seja por ingestão deliberada de quantidade exagerada (10 gramas), de sulfato de cobre, como por exposição a soluções de hemodiálise contaminadas por íons de cobre e ate pela ingestão de alimentos cozidos em utensílios de cobre mal estanhados, para impedir que se diga que os íons de cobre não são tóxicos ao organismo humano. 
 
 
ÍONS DE PRATA 
 
A toxicidade da prata frente a micro-organismos e conhecida e sabe-se que essa atividade e devida aos íons de prata. Contudo, o tempo de contato requerido para sua ação e bastante longo quando comparado com o cloro. Realmente os tripulantes dos voos da Apolo utilizaram um ionizador de prata (prata somente, não cobre, diga-se de passagem) para desinfetar a água de beber (ingestão de pequenas concentrações – ate 250 ppb não causam problemas para o ser humano). Entretanto, um comunicado da NASA, de 1968, mostrou que a desinfecção de algumas bactérias comuns, usando 50 a 100 ppb de íons de prata, requeria cerca de 8 horas de tempo de contato. Uma aplicação perfeita para quem não tem pressa, não pode levar cloro a bordo devido a sua periculosidade no transporte, e numa água que não vai sofrer contaminação já que os astronautas não nadavam em sua água de beber.
 
O processo conhecido como Electro-Katadyn, um ionizador de prata, já em 1937 foi testado em piscinas e a conclusão foi que os íons de prata não são satisfatórios para desinfectação de piscinas. Outro estudo mais recente mostrou sinergia desinfetante na combinação de íons de prata com residual de 0,2 ppm de cloro livre. 
 
Entretanto aumentando-se o teor de cloro para acima de 0,4 ppm essa sinergia desapareceu. 
 
A ingestão continua de prata causa escurecimento permanente da pele e órgãos internos (argirismo.) 
 
Haverão outras aplicações, como no caso da Apolo, que poderão utilizar a prata como desinfetante, para beber esporadicamente, mas certamente não as águas de piscinas. 
 
 
ÍONS DE COBRE + PRATA 
 
Testes realizados para avaliar a eficacia de ionizadores de cobre + prata com e sem baixos níveis de cloro demonstraram que os íons de cobre e prata sozinhos não apresentaram redução apreciável no número de coliformes fecais presentes na água. Após 6 minutos de contato o número de bactérias foi reduzido em 25% (deixando 75% ainda vivas). Por contraste, o residual de cloro de apenas 0,2 ppm reduziu a contagem bacteriana em 99% em apenas 1 o segundos, 99,9% em 20 segundos e 99,99% em 30 segundos. Já a combinação de íons cobre + prata, com 0,2 ppm de cloro, mostraram uma atividade apenas ligeiramente maior do que o cloro sozinho, denotando um possível efeito sinérgico, como no estudo anterior já mencionado sobre a prata sozinha junto com o mesmo residual de cloro (0,2 ppm). 
 
 
PADRÕES PARA ÁGUA POTÁVEL 
 
No Brasil, os padrões e normas para a potabilidade da água abrangendo todo o território nacional foram estabelecidos pela Portaria n° 56/Bsb, de 14/3/77, do Ministério da Saúde. Nela são adotadas as seguintes definições: 
 
Água potável – e aquela cuja qualidade a torna adequada ao consumo humano; 
 
Valor máximo desejado – VMD – valor de qualquer característica da água potável, acima do qual a água tende a ser menos aceitável pelo consumidor; 
 
Valor máximo permitido – VMP – valor de qualquer característica da água acima do qual a água não e considerada potável. 
 
 
Na tabela II dessa Portaria destacamos: 
 
 

 

Características

 

 

VMD

 

 

VMP

 

 

COBRE, ppm

 

 

0,2

 

 

1,0

 

 

PRATA, ppm

 

-

0,05

 

(ppb)

 

-

(50,0)

 

 

E A OXIDAÇÃO? 
 
Certamente os ionizadores, sejam eles de cobre ou de cobre mais prata não apresentam a capacidade de oxidar os materiais orgânicos. Consequentemente o uso desses dispositivos para tratar águas de piscinas pode resultar no acumulo de resíduos orgânicos na água, especialmente em piscinas com grande carga de usuários. 
 
 
OUTRAS INFORMAÇÕES 
 
Já em 1985 um importante fabricante de filtros informava aos seus revendedores que os íons de cobre e prata de aparelhos ionizadores instalados causavam deposições de cobre sobre as partes metálicas aterradas da piscina, como por exemplo os anéis frontais de refletores, tampas de drenos, placas de dispositivo de retorno etc. e que por isso tais equipamentos não teriam garantia quando instalados em piscinas equipadas por tais aparelhos. 
 
Outra observação que consta do Manual de Instalação e Operação dos Filtros Jacuzzi série SL:
 
Quando forem utilizados produtos químicos a base de cobre no tratamento da piscina, a dosagem deve ser controlada rigorosamente. Teores elevados do produto podem levar a deposição de cobre na superfície interna do tanque, acelerando o consumo do anodo de magnésio e, também, provocando a corrosão da chapa do tanque nos pontos de depósito, pois o aço se comporta como anodo em relação ao cobre. 
 
Em vista desses dados, cremos ser nossa obrigação repetir mais uma vez: não há ainda um substituto para o cloro na desinfecção de águas de piscinas.
 
Aqueles que fizerem questão de utilizar um ionizador não devem abandonar a cloração diária, e a supercloração quando necessária. Os ionizadores não devem ser encarados como produtos milagrosos e sim como simples algicidas eletrônicos.

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