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Piscina verde nas Olimpíadas RIO 2016




 
O mundo inteiro foi conquistado pela notícia (o fiasco da piscina verde), estampou fotos coloridas das ocorrências e, praticamente, todos os canais de TV em mais de uma centena de línguas comentaram o fato de as piscinas de salto e de polo aquático da Rio-2016 terem gradativamente se esverdeado. A percepção visual começou no dia 09, ou antes, como atestam as notícias, e o problema agravou-se nos dias que se seguiram.
 
As causas, primeira pergunta que vem à mente de qualquer espectador, atleta ou não, jornalistas e público em geral, ninguém conseguiu explicar: pH da água e alcalinidade baixa, fatores que todos os especialistas sabem, jamais teriam causado isso. Filtração ineficiente, até “muito calor e falta de ventos” entre outras pérolas da sabedoria humana, se candidataram a receber essa desonrosa medalha da Rio-2016. Mas nenhum deles levou.
 
No sábado (13/08/16) o Comitê Olímpico decidiu substituir toda água da piscina do polo aquático. Foram mais de 3.750.000 litros de água substituídos.
 
No domingo (14/08/16), em reportagem no programa Fantástico da Rede Globo, um dos organizadores disse em entrevista que esse problema foi causado pela adição indevida de 80 litros de peróxido de hidrogênio na água da piscina. Segundo ele a reação desse produto com o cloro, “enganou” o sistema elétrico de controle dos níveis de cloro, prejudicando o ajustes na qualidade da água.
 
Essa é uma explicação mais compatível com o problema constatado. Em outras palavras: A água oxigenada é um oxidante e reage com o cloro (em reação na qual os dois se extinguem), consumindo seu residual desinfetante, então equipamentos que deveriam estar controlando a dosagem de cloro falharam na detecção da ausência deste e a água ficou desprotegida, sem residual de cloro livre por algum tempo. Com o uso intensivo das piscinas, compostos orgânicos, especialmente amoniacais presentes no suor (lembrem-se que atletas podem transpirar até 0,5L de suor em 1 hora), com a ajuda do calor intenso e sol, facilitaram a proliferação de algas (como acontece nas represas no alto verão).
 
Notícias dão conta de que essa adição de água oxigenada (alguns disseram 160 litros) ocorreu no dia 05/08/16 e uma explicação plausível apareceu publicamente no domingo 14/08/16, talvez um ou dois dias antes. Nesse intervalo o que se ouviu foram apenas notícias desencontradas, irreais, de contundente ignorância, e, pior, de nenhuma autoridade sanitária ou, no mínimo, especializada em tratamento de águas.
 
A nosso ver, muitas lições podem ser tiradas desse infeliz incidente, em disciplinas diversas, como Administração, Relações Públicas, Profissionais da Indústria da Piscina, etc.
 
  • Se você vai sediar um grande evento, seja uma festa, uma competição ou olimpíada, que envolve o uso da piscina, assegure-se sempre de ter a assessoria de profissional habilitado e experiente. Cuide que todos os equipamentos estejam funcionando em perfeita ordem e não deixe para testá-los durante o evento. Pratique durante alguns dias antes do evento para não ter surpresas repentinas.
 
  • Tratamento de Água é coisa séria. Use produtos confiáveis e seguros, adquira familiaridade com seu uso e não faça experiências novas se está satisfeito com o que está utilizando. Mas, se não estiver satisfeito e quiser experimentar algo novo, que não seja em hora de evento importante. 
 
  • Tratar piscinas de forma correta e consistente é também a mais econômica.
 
  • Não tenha medo de assumir erros. A confissão sincera do erro que foi feito, logo no início do problema, teria evitado tantos desencontros, descalabros e desperdícios que foram testemunhados mundo afora e, principalmente: teria evitado o crescimento do problema através de solução rápida e imperceptível. Estimule sua equipe a reconhecer erros sem medo de punições. É uma forma de aprender. Errar é humano. O que não é permitido é repetir os mesmos erros. Faça erros novos.
 
  • Em caso de crise, nunca permita que qualquer um – mesmo que entenda do assunto – saia falando, dando entrevistas (são envaidecedoras!). Crie um comitê para resolver o problema e eleja uma única pessoa para ser o porta-voz de sua empresa e relatar de forma sucinta o que ocorre (e não cada um dizer o que acha frente às câmaras!).
 
Certamente outros ângulos – além dos abordados acima – poderão ensejar mais aprendizado a partir dessa história.
 
Por Alcides Lisboa

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